segunda-feira, 8 de março de 2021

Felizmente sou mulher!

 


Sou mulher! Sou mulher, porque não tenho nas minhas células o cromossoma Y. Este pequenino cromossoma (é mesmo pequeno) é segundo Steve Jones, “uma metáfora microscópica dos seus portadores, pois trata-se do cromossoma mais decadente, redundante e parasítico de todo o homem”, pois só possui cerca de 70 genes que codificam proteínas. Mas é a falta deste cromossoma que verdadeiramente permite a existência de dois sexos na nossa espécie, e basicamente de mulheres e homens. O dia Mundial da Mulher lembra-nos todos os anos que em quase todo o Mundo, as mulheres estão melhor que nunca, o que não significa que estão bem. Estes direitos que damos por adquiridos devem-se a tantas mulheres que muito lutaram e sofreram.  Mas se nos defrontarmos com os cerca de 4,5 milhões de mulheres em todo o mundo que são prisioneiras de comércio sexual, com países como o  Afeganistão e o Sudão em que as mulheres praticamente não têm acesso à educação e são propriedade dos maridos, com os cerca dos 195 países independentes que existem no mundo em que apenas cerca de 17 são governados por mulheres, com as mulheres que detêm apenas cerca de 20% dos lugares nos parlamentos a nível mundial (em Portugal, são cerca de 33,5%), com o facto de que na Europa, no universo das maiores companhias empresariais as mulheres ocupam apenas 16% dos lugares de administração e em Portugal esse valor desce para 7%, percebemos que ainda há um longo caminho a percorrer e que afinal não estamos assim tão bem.

Mas felizmente sou mulher! Quis o acaso que nascesse em Portugal, nos anos 60 do século passado, no seio de uma família “iluminada”. No seio familiar onde cresci, o número de homens era superior, e apesar de nem sempre as tarefas serem igualmente distribuídas (num contexto de flexibilidade, será que haveria equidade na sua distribuição?), nunca senti constrangimentos, impedimentos e sonhos não realizados pelo facto de ser mulher. No local de trabalho também nunca senti discriminação por ser mulher (no entanto, não deixa de ser caricato que a maior parte dos diretores dos agrupamentos de escola sejam homens). Na família que criei, o que vos digo é que ser mulher é muito bom!

Felizmente sou mulher! Nós, as mulheres, somos biologicamente falando, o sexo forte e dominante – sabiam que o tal cromossoma pequenino, cromossoma Y, atendendo à sua taxa de degradação desde o seu aparecimento pode desaparecer completamente dentro de uns meros 10 milhões de anos? Temos a capacidade única de permitir o desenvolvimento de um novo ser durante 9 meses, mantendo-o a uma temperatura constante e adequada, alimentando-o, dando-lhe oxigénio para respirar, e quando nasce continuamos a fazê-lo. Somos versáteis, conseguindo dar resposta ao mesmo tempo a vários estímulos e problemas. Temos uma sensibilidade única para o que nos rodeia. Somos mulheres!

Felizmente sou mulher!

Carmen Madureira

(Docente do Grupo 520 - Biologia e Geologia)

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